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terça-feira, 5 de abril de 2011

O UFC é realmente “benevolente com a selvageria”?

Ontem o jornalista Sidney Rezende publicou em seu blog um texto polêmico. Querendo se aproveitar do momento em que o MMA passa, o apresentador da Rede Globo e Globo News acusa o UFC de promover “selvageria” em seus eventos. Principalmente calcando suas opiniões na luta em que Maurício Shogun perdeu o cinturão para Jon Jones, Rezende comete algumas injustiças. Como o principal papel do MMA Brasil é defender o esporte e ajudar na evolução do mesmo, vamos então cumprir com a nossa obrigação.

Por se tratar de uma publicação de alguém que visivelmente não entende muito do esporte, é até fácil derrubar seus frágeis argumentos. O grande problema é o alcance de cada coisa. Enquanto o MMA Brasil ainda está engatinhando, o Blog do SRZD é amplamente difundido e visitado. O pior: o autor ainda tem espaço nos canais de TV acima e na rádio CBN. Se ele resolver disseminar sua ideia, pode causar um estrago na evolução do MMA no Brasil.

Disse ele no começo:

    “(…) as regras das lutas não impedem agressões desumanas, como as submetidas ao lutador Shogun Rua no seu último confronto contra Joe Jones. Até o americano vencedor saiu com a mão machucada. A luta não poderia ter ido tão longe, mas o juiz permitiu. E isto está conceitualmente errado. (…) O UFC está massacrando seres humanos como máquina de moer carne.”

Caro Sidney, o esporte nos EUA é fortemente controlado pelas Regras Unificadas de Conduta do MMA, criadas com o principal intuito de proteger a integridade dos atletas. Diferente dos tempos iniciais, quando realmente valia quase tudo, hoje as regras limitam bastante o que pode ser feito dentro de um palco de combate. Em cada luta existe um árbitro dentro do cage ou ringue e um médico ao lado do mesmo. Estas são as únicas pessoas, além dos atletas, com acesso permitido à área de disputa durante uma competição. Estes profissionais, que não têm vínculo com nenhum promotor mas sim com as Comissões Atléticas Estaduais, têm o poder de interromper a luta em qualquer momento, caso vejam necessidade. Se a luta de Shogun demorou a ser interrompida, não foi por culpa do UFC ou da ausência de regras.

Até acho que algumas lutas demoram a ser interrompidas, como foi o caso recente de Ben Saunders x Matt Lee no Bellator 39. Mas isso não acontece porque o “esporte é selvagem” ou “não possui regras”. Assim como é possível um zagueiro fazer uma falta dura, inutilizar a carreira de um atacante e o juiz sequer dar falta ou cartão vermelho, este tipo de erro também acontece no MMA. Os torcedores do Flamengo não esquecem de Marcio Nunes, que praticamente deu fim à carreira de Zico. Os vascaínos se lamentam pelo carrinho de Jean Elias em Pedrinho. As regras do futebol coíbem tal atitude, mas nem sempre os apitadores respeitam as normas. Isso porque nem vou entrar no mérito das agressões por cotoveladas, pontapés, socos e etc. distribuídas em campos e quadras do mundo, pegando vítimas desprevinidas que não estavam lá para lutar (nem se prepararam para).

Sobre o fato de Jones ter saído com a mão machucada, isso se chama ACIDENTE DE TRABALHO, comum a todas as atividades profissionais. Quantos jogadores de futebol quebram pernas, estouram ligamentos em divididas (nem sempre honestas) ou até mesmo sozinhos? Certa vez, numa pelada de futsal no meu antigo prédio, fui dividir uma bola com um amigo e fissurei o osso do peito do pé. Foi um acidente normal da prática esportiva. O próprio senhor Rezende pode, ao sair da bancada da Globo News, dar um bico numa quina e quebrar o pé. A culpa será da emissora?

Outra passagem do texto merece reflexão:

    Outro dia, um lutador entrou no octógono se valendo de doping. Para não ser flagrado, ele trocou sua urina pela de um animal. Foi pego e o caso está sob análise. As barbaridades como estas e outras precisam ser coibidas.

Obrigado por nos ajudar na campanha antidoping, senhor Rezende! Mas vamos levantar a bandeira correta, mundo afora, em vez de nos ater apenas ao MMA. O senhor sabe quem foi o último campeão da Volta da França de Ciclismo que não foi pego no antidoping? Foi o americano Greg LeMond, campeão pela última vez em 1990. Isso mesmo, há mais de 20 anos TODOS os campeões da prova mais importante do ciclismo mundial foram desmascarados. Isso sem falar no atletismo, levantamento de peso olímpico, futebol, vôlei, natação, beisebol… Até mesmo no hipismo, em casos que nos renderam um ouro olímpico em 2004 e tirou nosso principal atleta da disputa em 2008. E neste ponto cabe ressaltar que os promotores americanos de MMA são obrigados a submeter seus atletas aos controles de dopagem das Comissões Atléticas, que, reforço, são independentes.

De todo este tumulto causado pelo jornalista, fica realmente uma dica para o MMA brasileiro: precisamos PARA ONTEM criar uma Comissão Atlética independente para regulamentar o esporte em nosso país. Em relação ao UFC Rio, caso nossa comissão não surja até então, as regras e controles valerão de acordo com o praticado pela Nevada State Athletic Commission (NSAC), a principal comissão atlética dos EUA. Mas precisamos regulamentar nossos eventos internos para não deixar espaço para que críticas sem fundamento tomem forma de verdade.

Deixo a todos o link do texto original do Blog do SRZD. Mas, por favor, caso queiram deixar algum comentário lá, o façam com o mesmo modo pacífico e educado que fazem aqui. Não precisamos dar moral para ninguém dizer que os fãs de MMA são “loucos selvagens”. Mas uma coisa me causa estranheza. Por que o jornalista publicou um artigo com este teor se ele mesmo dá um espaço bem interessante para as notícias do MMA em seu blog?

Fonte: MMA-Brasil

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